O GTA 6 seguirá uma abordagem semelhante à dos demais títulos da franquia e não terá microtransações durante a campanha, além de não utilizar inteligência artificial generativa. A informação foi dada pela Rockstar durante uma entrevista coletiva e posteriormente divulgada pelo podcast Kinda Funny Games.
A decisão sobre o uso de IA não chega a ser uma surpresa. Em abril, Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, já havia afirmado durante a Semafor World Economy 2026 que a inteligência artificial generativa não fazia parte do desenvolvimento do novo Grand Theft Auto. Na mesma entrevista coletiva, a Rockstar também descartou a presença de pagamentos com dinheiro real durante a gameplay, algo que a empresa tradicionalmente não utiliza dessa maneira em seus jogos.
Mesmo sem microtransações, GTA 6 terá conteúdos adicionais pagos. A versão Ultimate do jogo oferecerá cosméticos exclusivos e outros benefícios aos jogadores. Nos consoles brasileiros, essa edição está sendo comercializada por R$ 549,90, enquanto a versão Standard, que não inclui os extras, custa R$ 449,90.
No entanto, existe uma questão que ainda não foi esclarecida pela Rockstar: a ausência de microtransações também se aplicará ao GTA Online?
A dúvida faz sentido porque o GTA 5 acabou ganhando uma versão específica voltada ao multiplayer depois de seu lançamento. Atualmente, o modo online pode ser adquirido separadamente por R$ 99,90 e segue um modelo de Game as a Service, incluindo compras realizadas com dinheiro real.
Outro ponto destacado pelo TechPowerUp é justamente a existência da edição Ultimate. Embora o jogo não tenha microtransações durante a experiência principal, jogadores que comprarem a versão Standard poderiam eventualmente adquirir os conteúdos extras separadamente. Dessa maneira, a Rockstar ainda teria uma forma de gerar receita adicional depois do lançamento.
IA generativa já estava fora dos planos
A ausência de IA generativa em GTA 6 também já havia sido antecipada por Strauss Zelnick. O executivo afirmou anteriormente que esse tipo de tecnologia não tinha espaço no projeto que estava sendo desenvolvido pela Rockstar.
Pouco antes dessas declarações, a Take-Two havia demitido Luke Dicken, que ocupava o cargo de responsável pela área de inteligência artificial da empresa. O episódio ajudou a alimentar as discussões sobre o papel da IA no desenvolvimento dos próximos jogos.
O uso de inteligência artificial na indústria de games continua sendo um assunto bastante controverso. Em julho, por exemplo, a Godot, engine de código aberto utilizada em jogos como Slay the Spire 2, anunciou medidas para dificultar o uso excessivo de IA em sua plataforma.
Ao mesmo tempo, uma pesquisa da PGB 2026 mostrou que os jogadores brasileiros estão cada vez mais atentos à utilização de inteligência artificial no desenvolvimento dos games. Apesar disso, a presença da tecnologia ainda não é necessariamente suficiente para fazer o consumidor deixar de comprar um jogo.
A própria tecnologia também vem ganhando espaço na parte gráfica. A Nvidia apresentou recentemente o DLSS 5, recurso que utiliza IA generativa para buscar gráficos mais realistas em jogos AAA. A tecnologia, porém, provocou bastante discussão nas redes sociais, principalmente porque algumas das mudanças visuais são consideradas exageradas por parte do público e chegaram a ser associadas ao conceito de AI Slop, termo usado para descrever conteúdos gerados por IA considerados de baixa qualidade ou pouco naturais.